
Análise da relação entre a expansão dos bancos de baterias (BESS - Battery Energy Storage Systems) e a geração solar fotovoltaica no Brasil

A relação entre a expansão dos bancos de baterias (BESS - Battery Energy Storage Systems) e a geração solar fotovoltaica no Brasil obedece a uma lógica de causa e efeito, baseada nos limites físicos do nosso sistema elétrico e na resposta econômica das empresas.
Podemos resumir essa relação em três atos: a sobreoferta, o estresse operativo e, finalmente, a solução de mercado.
A energia solar tem uma limitação óbvia: ela só gera energia durante o dia e atinge seu pico ao meio-dia. Nos últimos anos, a entrada massiva de painéis solares no Brasil (tanto em grandes usinas quanto nos telhados das casas) começou a "injetar" um volume tão grande de energia na rede no horário de almoço que o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisou reduzir drasticamente o uso das outras fontes (como hidrelétricas) nesse horário.
No entanto, quando o sol se põe (por volta das 18h), essa geração solar desaparece em questão de horas, exatamente no momento em que a população chega em casa e o consumo nacional atinge seu máximo.
Veja como isso afeta a operação diária do Brasil no gráfico abaixo, que analisa 390 dias de dados do ONS:
(A área dispersa no meio do gráfico mostra a demanda caindo ao meio-dia devido à geração de energia por painéis solares. A faixa escura no topo mostra o salto de demanda às 19h).
O país precisa ligar o equivalente a três usinas de Itaipu inteiras em apenas três horas (das 15h às 18h) todos os dias para compensar a saída do sol. Esse é o fenômeno conhecido como Curva do Pato (Duck Curve).
A solução emergencial do ONS tem sido aplicar o curtailment: o corte da geração. O ONS simplesmente manda as usinas hidrelétricas "desligarem" ao meio-dia. Isso gera um prejuízo financeiro colossal para as empresas hidrelétricas, que têm contratos regulados para entregar essa energia e deixam de gerar receita se não o fizerem, além de onerar o custo de energia ao consumidor nos horários de pico.
É aqui que as baterias entram. Diante dos prejuízos contratuais e do desperdício de energia, os geradores privados perceberam que precisavam de um "amortecedor".
Se eles instalarem grandes contêineres de baterias de lítio ao lado de suas usinas solares, eles podem guardar esse excesso de energia do meio-dia e injetá-la na rede às 19h, quando o sistema demanda por mais energia, sendo preciso acionar não só hidrelétricas como termelétricas e o preço dispara.
A resposta do mercado foi rápida. Veja o cruzamento dos dados de importação aduaneira brasileira (Painéis Solares vs. Baterias de Lítio):
Conclusão: A expansão dos bancos de baterias no Brasil não é apenas uma "evolução natural" ou uma tendência tecnológica. É uma necessidade de infraestrutura forçada. As baterias são a solução que o mercado encontrou para resolver a questão da "Curva do Pato" e rentabilizar a energia solar no momento em que ela mais faz falta para o país: à noite.
Belo AI




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