
De Normandia a Redenção da Serra, pequenas cidades concentraram as mudanças mais intensas no voto presidencial entre 2018 e 2022.
Em nenhum município brasileiro a disputa presidencial mudou tanto quanto em Normandia, em Roraima. Entre os segundos turnos de 2018 e 2022, a parcela dos votos válidos destinada ao PT recuou de 66,2% para 41,8% — uma queda de 24,4 pontos percentuais. Como os dois pleitos colocaram um candidato petista contra Jair Bolsonaro, o movimento representou, na prática, uma virada de dimensão semelhante a favor do bolsonarismo.
Na outra ponta do ranking aparece Redenção da Serra, no interior de São Paulo. Ali, o PT avançou 20,9 pontos, de 25,4% para 46,3%. O partido também ganhou terreno de forma expressiva em Treviso (SC), Santo Antônio do Pinhal (SP) e Gonzaga (MG), todos com altas próximas de 20 pontos.
As maiores mudanças ocorreram, sobretudo, em cidades com poucos milhares de votos válidos. É um dado politicamente relevante, mas que pede cautela. Em eleitorados pequenos, a migração de algumas centenas de votos basta para provocar variações percentuais de grande magnitude.
Os extremos também revelam um recorte regional. Entre as maiores perdas petistas estão municípios de Roraima, Pará e Amazonas. Os avanços mais fortes, por sua vez, se concentram principalmente em cidades de São Paulo e Minas Gerais.
O levantamento mostra onde o voto mudou com mais intensidade, mas não explica por que isso ocorreu. Questões locais, mudanças demográficas, participação eleitoral e o contexto das campanhas podem ter contribuído — hipóteses que exigem uma análise própria de cada município.
O cálculo considera a participação do PT nos votos válidos dos segundos turnos de 2018 e 2022. A escolha permite comparar duas disputas com a mesma configuração política — PT contra Bolsonaro — sem a fragmentação partidária dos primeiros turnos. Os dados municipais são do Tribunal Superior Eleitoral e foram disponibilizados pela Base dos Dados.




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